EU TENHO UM PLANO!

Se você pudesse ter um superpoder, qual seria? Seja ambiciosa, seja ambicioso, não há limites.

Alguns anos atrás, quando me perguntavam isso, eu respondia sempre que gostaria de ter o superpoder de “ler mentes”. Eu queria entender as pessoas e queria entender o mundo. Hoje, a minha resposta pra essa pergunta é completamente diferente. O que terá mudado?

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Antes de tentar responder a pergunta, uma história rápida.

Onde trabalho nós temos um estagiário — vamos chamá-lo de Amin. Conversei com Amin pela primeira vez na última sexta-feira, durante um churrasco da área, e descobrimos que temos trajetórias quase idênticas. Fizemos o mesmo curso na faculdade, fomos voluntários na mesma ONG, fizemos intercâmbio para o mesmo país (!) e, assim como eu, Amin também começou a estagiar “tarde”. Além, é claro, de agora trabalharmos na mesma área da mesma empresa.

Trocamos ideia por um bom tempo e terminamos tomando um litrão e jogando sinuca em um snooker no centro da cidade. Falamos sobre carreira, família e sobre nossas experiências até aqui. Amin é um cara cheio de ideias. Empreendedor, inconformado e muito promissor. De novo, bem parecido comigo quando eu estava na mesma fase que ele.

A primeira nítida diferença entre nós é que ele é bom de sinuca, enquanto eu sou péssimo. Outra diferença é que sexta-feira foi não apenas a primeira vez em que conversamos, mas também o seu último dia de trabalho, porque naquele dia Amin escolheu pedir demissão.

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Voltemos ao superpoder.

Se você me perguntar que superpoder eu gostaria de ter, eu certamente não te responderia mais “ler mentes”. Hoje, minha resposta é: ser capaz de parar o tempo — Veja, não estou dizendo que eu gostaria de voltar no tempo, mas sim de pará-lo. Abro mão de entender as pessoas e o mundo desde que eu possa parar o tempo e me dedicar de verdade a fazer coisas que vejo propósito em fazer. Ou mesmo coisas que eu apenas quero fazer sem propósito nenhum. De planejar uma escalada meteórica à presidência 2018 a ficar deitado por três dias se isso for o que eu realmente quero.

Porque tempo é poder. Se não temos tempo, dizemos “hoje não posso”. E, se podemos, certamente é porque temos tempo — Percebe? Está até na nossa língua portuguesa. Ser capaz de parar o tempo seria o suprassumo dos (super)poderes.

Posso vir a mudar de opinião, mas hoje acredito com muita força que na vida temos apenas dois recursos. Recursos estes que são, acima de tudo, limitados. São o nosso tempo e a nossa energia. E que viver significa escolher como usaremos esses dois recursos tão preciosos.

Quanto mais analiso minha vida, mais eu percebo que estou virando alguém que tem uma relação muito pobre com o tempo, e isso tem me incomodado. Venho me tornando algo que seria inimaginável alguns anos atrás, quando eu me considerava empreendedor, inconformado e muito promissor. Naquela época em que meu superpoder por escolha seria o de ler mentes, lembra?

Muita coisa mudou. A expectativa, naquele tempo, era de que hoje eu seria um profissional cheio de propósito trabalhando em algo que contribua para melhoria do mundo. Eu achei também que nunca passaria dos 75 quilos. A realidade é que virei o tipo de pessoa que comemora que chegou a sexta-feira e discute com o chefe por banco de horas. Literalmente. Hoje faço essas duas coisas e estou chegando aos 90 quilos.

Enfim, eu sonhava com Barcelona e me contentei com Barbacena.

Mas, nem tudo está perdido. Eu tenho um plano!

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A ideia é deixar as coisas como estão até eu infartar — a imagem mental sou eu segurando um Burger King e tombando lentamente para o lado. Mas, que fique claro que pretendo sobreviver ao infarto. Vou, então, interpretá-lo como um sinal divino, mudarei completamente de vida e farei coisas maravilhosas dali em diante. Que tal?

Talvez seja melhor eu pensar em um outro plano, não é?

Nosso amigo estagiário bom de sinuca Amin fez exatamente o que eu pensei que faria quando foi a minha vez. Ele foi buscar coisas nas quais ele realmente acredita enquanto eu permaneci na minha zona de conforto. Hoje tenho maturidade para receber essa lição de forma serena, sem autocobranças em excesso. É fato, porém, que a lição agora existe. Ela está bem na minha cara e cabe a mim fazer algo a respeito.

Não é sempre que vamos superar nossas próprias expectativas, mas podemos corrigir a rota conforme caminhamos. Acho, até, que podemos ver a vida como um jogo de sinuca — Não seremos campeões mundiais de primeira, nem sempre sabemos o que estamos fazendo, mas podemos ir posicionando as bolas antes de encaçapar uma a uma, não é mesmo? Não é força, é jeito.

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