CONSELHOS PARA QUEM ESCREVE

Vou compartilhar algo que vi hoje (sábado), foi muito importante pra mim e quero que o máximo possível de pessoas veja e converse a respeito também.

No texto de lançamento da newsletter, 11 semanas atrás, eu contei um pouco da história do Acelera Cometa! — de como no início ele era um canal no Youtube apenas, tendo evoluído depois pra esse projetão multimídia de textos e videos que envio a vocês todos os domingos.

O que não contei é como funciona minha vida para que o AC! exista. Não é nada épico, não tenho um Vira-Tempo nem um DeLorean, infelizmente. Basta dizer que essa newsletter é meu projeto pessoal.

Faço o Acelera Cometa! nas minhas horas vagas, num malabarismo desastrado em que entram vida pessoal e trabalho 08-18h. Apesar de “saber” que muitas outras pessoas também produzem conteúdo nesse esquema, não me lembro de ter visto uma figura de referência trazer esse assunto para a mesa, ainda mais se colocando como alguém que também vive uma situação parecida. Até ontem.

12291774_486486441542342_8911233289175075433_ofachada da charmosa Tapera Taperá (foto de Renatto de Sousa)

Há algumas semanas descobri o “Conselhos Para Quem Escreve” — e que descoberta maravilhosa. O “Conselhos” é um ciclo de conversas em que Ana Rüsche convidou, por quatro sábados seguidos, diferentes escritores à livraria Tapera Taperá (SP) para falarem de suas experiências. A ideia, como o nome diz, é que essas conversas sirvam como conselhos, como inspiração para aspirantes a escritores internet afora. E ontem, para minha sorte, as convidadas foram Drielle Alarcon e Aline Valek.

Ambas escrevem predominantemente na internet, a Aline tendo migrado para impresso mais recentemente.  Além de romances, ela tem um zine mensal, que ainda não conheço, mas a acompanho nas redes e leio sua newsletter. Desde que descobri Aline, ela tem sido uma inspiração para mim como produtor indepentende de conteúdo.

A Drielle, porém, eu ainda não conhecia, e ainda bem que esse encontro aconteceu. Ela também trabalha tempo integral no meio corporativo e adaptou sua literatura a essa realidade. Drielle escreve no ônibus, no metrô, faz notas-gatilho para retomá-las quando tiver o tempo de sentar e escrever e, acima de tudo, tem paixão por essa atividade. Será que vibrei com ela? Muito! Me identifiquei com cada detalhe, inclusive quando ela conta que publica contos em seu Facebook usando de listas, permitindo que apenas esse ou aquele grupo de pessoas possa ver certos posts dependendo do conteúdo. Isso tudo é exatamente o que eu faço!

Quando ela descreve essas listas do Facebook como um exercício de exposição, dizendo que nem sempre ela se sente pronta para compartilhar certos conteúdos no modo público, eu quero mergulhar na tela do computador e abraçá-la. Foi muita identificação (notem que as capas dos meus videos no Youtube não têm meu rosto).

Vários outros momentos da conversa falaram muito comigo, como quando elas tocam nos “mecanismos perversos” da internet, em que os números são enormes e a produção urgente — são milhões de inscritos, seguidores, likes, compartilhamentos, e existe uma pressão invisível pra que você gere conteúdo a todo momento sob o risco de ser esquecido. Isso tem nos tornado viciados e distraídos do que realmente importa. Igualar-se a isso é muitas vezes… impossível. Mas por que deveríamos querer nos igualar a esses números pra começo de conversa?

Enfim, se eu continuar escrevendo sou capaz de transcrever toda a conversa delas aqui. Destaco novamente a importância dessas vozes para quem gosta de internet e produz conteúdo aqui (em especial a da Drielle para mim nesse exato momento).

Clique aqui para ler a Drielle Alarcon
Clique aqui para ler a Aline Valek
Clique aqui para ler a Ana Rüsche

Há várias outras jóias nessas conversas. De bate-pronto posso citar Jô Freitas, uma cenopoeta que descobriu que a poesia pode ser livre o suficiente para expressar sua identidade e contexto social, e Marcelino Freire, que, ao interpretar um poema seu, me deixou literalmente sem ar (e querendo ser ele quando crescer).

Conheça o “Conselhos Para Quem Escreve”, todas as edições estão gravadas na página da livraria Tapera Taperá, clique aqui para acessar.

Aos organizadores desse ciclo de conversas, meu reconhecimento e muito obrigado. A você, que me lê, minha recomendação máxima pra correr pra página do Tapera Taperá e assistir a todas as gravações.

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