UMA PÍLULA DE ANÁLISE 2 + UM POEMA IMPERFEITO

Dias
Meses
A manhã inteira

Filtrando tudo errado
Abocanhando o que não importa
Cuspindo o doce fora
Mastigando o amargo

Bochechando-o
Engolindo-o
Adorando
E reclamando depois?

Cara-de-pau
Moleque ranzinza
Sabotador
Poeta ruim

Impostor
Espião do Norte
Autoboicote
Xô!

Sai de mim*

12-4heylava

Eu estava pronto para escrever a parte 2 de “Tudo é muita coisa” quando fui interrompido por uma indireta que a vida deixou pra mim na timeline. Tive de parar tudo e me analisar. Em vez de “Tudo é muita coisa 2”, portanto, temos a “Uma pílula de análise 2” (você pode ler a 1 clicando aqui)

Preciso equipar você para o caso de querer tomar essa pílula comigo, por isso vou te entregar alguns itens importantes para colocar na sua mochila antes de se embrenhar na mata que leva ao fim do texto.

Alerto de antemão que essa mata é fechada, cheia de sons e sombras distorcidas que podem não ser o que parecem. Caminhe com cuidado e compaixão.

Quero que saiba também que, se você está lendo esse texto agora, isso significa que um debate com muito dedo na cara aconteceu entre mim e vários outros Lucas que também me habitam; O Lucas inseguro, que quer esconder seus defeitos, quase venceu. Mas um outro Eu, que precisa escrever essas palavras para mandar embora o sentimento e que também acha importante compartilha-las, foi quem teve a palavra final; Ele contou com o apoio de um Lucas que tem achado interessante correr alguns riscos ultimamente.

Eu, eu, eu.
Foi um debate bem egocêntrico. Eu, hein!

Enfim, acho que ficou claro.

Jogue sua mochila nas costas e vamos.

12-1goker

Não é fácil ter de reconhecer certos defeitos em mim mesmo. Especialmente quando são coisas que mantenho tão bem escondidas que, ao virem à tona, surgem como vozes acusadoras. Por mais que eu as conheça muito bem, essas vozes sempre me assustam um pouco.

E é impossível trabalhar ou produzir qualquer coisa positiva no meio desse barulho, por isso hoje escolhi falar de dois sentimentos perigosos que encontrei recentemente e que talvez também sejam conhecidos seus: o recalque e a implicância.

Você já se surpreendeu olhando para um trabalho e questionando “por que essa pessoa conseguiu esse trabalho?” ou “Como é que ela ganhou tanta visibilidade?”?

Eu já.

Acredito que o maior problema disso é que geralmente esses questionamentos vêm acompanhados de comparações com nós mesmos. Então o que as vozes dizem, na verdade, é: “por que essa pessoa conseguiu esse trabalho… e não eu?” e “Como é que ela ganhou tanta visibilidade… e eu não?”

Dia desses estava assistindo a vídeos de uma pessoa de que gosto muito. São vídeos que adoro, que sempre despertam meu interesse pelas mais diversas razões. Mas dessa vez eu me peguei questionando depois “por que será que o canal dessa pessoa cresceu tanto recentemente?”

Quando dei por mim, ao invés de focar na qualidade do meu próprio trabalho, estava mentalmente fazendo uma lista de razões pelas quais essa pessoa havia crescido tanto e aumentado tanto seu alcance nos últimos meses.

Na sequencia, ainda sem ter sequer começado a fazer o que eu realmente deveria estar fazendo, encontrei um canal no YouTube que visita as casas das pessoas (além de tudo, eu estava procrastinando).

Em cada video eu implicava com algo diferente; ora o casal era tão hipster que me fazia revirar os olhos, ora a conversa do apresentador com a convidada era tão efusiva e cheia de amor que eu ria de deboche no pior estilo humorista de twitter.

Nem eu estava me suportando.

12-2heylava

Para explicar usando personagens do Jim Carrey (óbvio! Por que não?), eu era o próprio Grinch no Natal e o meu recalque me consumia como a máscara mágica de madeira em O Máscara — não paro de pensar na cena em que ele se transforma pela primeira vez. Jim Carrey leva a máscara de madeira ao rosto e ela gruda à sua cabeça com um som de sucção. Ele tenta se livrar, mas não consegue, a magia da máscara é mais forte e não há volta; ele agora é um troll de rosto verde e eterno sorriso de deboche.

Aqui não! Xô! Sai de mim!

Tive de intervir, aquilo precisava parar. Procurei outra coisa para fazer — sozinho, é claro, para não haver o risco de contaminar mais ninguém.

Meu pai fala uma coisa que adoro: “tá nervoso? Bate com a cabeça na parede”, hahaha. É muito isso. Esses momentos acontecem e ninguém mais tem culpa.

Veja, isso não tem absolutamente nada a ver com os inocentes que foram alvo desses sentimentos. Eu os admiro sinceramente e tenho mandado bons pensamentos a eles nos últimos dias pra me desculpar, rs. Isso é exclusivamente sobre mim. Se eu estivesse lendo, assistindo, ouvindo qualquer outra coisa naquele momento, não seria diferente. Era eu, e apenas eu, que estava com as energias tortas.

Esses pequenos demônios gritaram tão alto que, aí está: uma newsletter inteirinha sobre eles. Para mandá-los embora de uma vez por todas e firmar um contrato com o universo pra que isso não se repita.

Para eu lembrar de olhar sempre com os olhos do curioso, e não do confiante.
Para eu lembrar de querer sempre melhorar, e não ser o melhor.

Carta enviada originalmente em 04.09.17

*O título do poema é “Espião do Norte”. Possivelmente falarei sobre minha motivação para escrevê-lo numa carta em breve ou mesmo em um video secreto.

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