INDICAÇÕES

Oi, como você está?

Como falei na última newsletter, foi tão legal o retorno de vocês na número 14, com indicações de leituras e videos, que resolvi retribuir reunindo algumas coisas que eu tenho gostado para recomendar nessa edição.

Aliás, o feedback da número 15 foi tão bom quanto. O texto “Canos de Cobre” gerou várias conversas ótimas no e-mail, além de que alguns de vocês apresentaram a newsletter a amigos e trouxeram gente nova pra cá. Muito obrigado por isso, eu fico super feliz!

Vamos ao que interessa?

A razão para eu querer que mais pessoas conheçam os trabalhos que vou indicar é que eu me conecto pessoalmente com eles. Cada um tem a sua importância para mim e os motivos podem ser vários, então, a cada indicação vou contar o porquê de aquele conteúdo estar na lista. Lembrando que estas são descobertas recentes, posso fazer outras edições como essa da newsletter caso vocês gostem da ideia, tudo bem?

Começando:

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// Canal Bondelê: Em cada video, Mariana Mendes resenha um livro de uma escritora brasileira contemporânea e na sequência faz uma entrevista com essa escritora. Clique aqui para conhecer.

Realização: Mariana Mendes e Carolina Freitas da Cunha

Por que me conectei: Conheci o canal Bondelê há mais ou menos duas semanas, e ele traz vários dos elementos de que eu mais gosto: entrevistas, literatura e bastidores. Perguntas como “quando você passou a se considerar escritora?”, “como é o seu processo de escrita?” e “é possível formar um escritor?” são recorrentes nas entrevistas da Mariana. A investigação das origens e da formação dessas artistas, dos seus processos de criação e, finalmente, a desromantização da literatura enquanto ofício é algo que me motiva muito a escrever. Pelo canal, conheci escritoras de vários estilos, idades e mais variados métodos, desde aquelas que mantêm hábitos rígidos de escrita até aquelas que começaram seus livros escrevendo no ônibus.

Comece por: Pra dar um recorte do que é o Bondelê, começo indicando duas autoras que não poderiam ser mais diferentes (será?): Conceição Evaristo (romance) e Alice Sant’Anna (poesia). Várias outras são imperdíveis, não deixe de ver Elvira Vigna, Lilia Schwarcz, Carol Rodrigues, Maria Valéria Rezende, Noemi Jaffe… por que você não faz como eu e assiste a todas? Pronto!

***

// Conselhos para quem escreve: Ciclo de quatro encontros em que Ana Rüsche, escritora paulistana, convidou à livraria Tapera Taperá (SP) oito escritores de diversos gêneros para falarem de suas experiências. Guiadas pela Ana, que também ensina escrita criativa, essas conversas servem como conselhos e motivação para aspirantes a escritores por aí e por aqui. Todos os episódios estão arquivados na página do Facebook da livraria. Assista aos encontros 01, 02, 03 e 04.

Realização: Ana Rüsche e livraria Tapera Taperá (São Paulo)

Por que me conectei: Era a época, em 2017, em que eu andava por Curitiba colando meus poemas por aí. O dia era sábado, perto da hora do almoço e queria chover. Cheguei em casa carregando um envelope pardo enorme cheio de poemas em folhas A3, sentei na frente do computador e vi a notificação no Facebook de que começava naquele instante uma live chamada “Conselhos para quem escreve”. Parecia que o evento estava sendo feito para mim. Aquele era um período muito criativo e de muito entusiasmo, por isso o “Conselhos” ficou tão marcado e ainda hoje volto às gravações de vez em quando. (Falei dele na época, na edição 11 da newsletter).

Comece por: Aline Valek + Drielle Alarcon, falando sobre escrever na internet (!) e Lubi Prates + Marcelino Freire (Marcelino declamando seu poema no final é de tirar o fôlego, literalmente.)

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// Podcast Coisas que a gente cria: Áudios das entrevistas em que Bárbara Nickel conversa com pessoas que a inspiram sobre as suas iniciativas. Bárbara é jornalista e os entrevistados vêm das mais diversas áreas, do meio corporativo ao terceiro setor, passando também pelas artes. Clique aqui para conhecer.

Realização: Bárbara Nickel

Por que me conectei: Eu cheguei ao “Coisas que a gente cria” depois de uma maratona de “Talvez Seja Isso”, um segundo podcast também comandado pela Bárbara e do qual falarei abaixo. Pessoas apaixonadas contando sobre seu trabalho geralmente é algo que me inspira, então de cara comecei a ouvir. Agora, uma das coisas que me fez continuar ouvindo é a habilidade da Bárbara como entrevistadora. Ela faz as perguntas que mais me prendem, como é o caso do capítulo com a escritora Aline Valek (olha ela de novo), em que Bárbara questiona sobre os números, o alcance da produção independente no Brasil, ritmo de escrita de um romance, métricas, desafios, modelo de negócio, como é escrever uma newsletter (!) e muito mais. Como eu disse, gosto muito dos bastidores. A conversa das duas me envolveu tanto que, imediatamente após ouvir a entrevista, corri para assinar a zine Bobagens Imperdíveis, criada pela Aline e que agora está pausada por
tempo indeterminado. Outro ótimo papo que destaco foi com a Larissa Magrisso, que trabalha com conteúdo digital e falou sobre liderança, criatividade, correr riscos na carreira, ser interdisciplinar e vários outros temas. Fato é que as conversas tomam rumos diferentes do que se espera, indo muito além do que as profissões dos entrevistados sugerem a princípio. São seres humanos conversando. Pessoas que criam coisas.

Comece por: Já indiquei duas entrevistas de que gostei, então aqui quero deixar uma terceira: a com Mariana Bandarra. Mariana é artista e parceira da Bárbara no podcast “Talvez Seja Isso”. Em sua entrevista, ela conta como o início da prática do bambolê a ajudou em um período de depressão clínica severa, em 2006. Nesse contexto, ela fala sobre mil outras coisas. Vale muito a pena ouvir.

***

// Podcast Talvez Seja Isso – Um ano depois da entrevista que recomendei acima, Bárbara Nickel e Mariana Bandarra se encontram e criam, juntas, o “Talvez Seja Isso”, programa em que comentam, capítulo a capítulo, o livro “Mulheres que correm com os lobos”, de Clarissa Pinkola Estés. No livro, a autora, uma psicanalista americana, interpreta 19 fábulas populares tendo o arquétipo da “mulher selvagem” como pano de fundo, investigando o feminino e trazendo lições de autoconhecimento. Clique aqui para conhecer.

Realização: Bárbara Nickel e Mariana Bandarra

Por que me conectei: No vídeo do projeto no Apoia.se, Bárbara se apresenta como “jornalista, uma pessoa muito investigava”, e a Mariana como “artista, uma pessoa altamente intuitiva”. Essa mistura de perfis faz toda a diferença na experiência de ouvir o podcast. As interpretações das duas se complementam e geram reflexões lúcidas e bem humoradas sobre autoconhecimento e autossabotagem, intuição, liberdade, vida criativa e muito mais. Prestando atenção, é possível se enxergar em várias das situações que elas narram e tirar muitas lições. São várias as vezes em que eu fico com o sentimento de “nossa, parece que eu precisava ouvir isso exatamente agora” // Talvez me falte lugar de fala para que a minha descrição do trabalho delas seja completa; eu escrevo, escrevo, escrevo e não fico satisfeito. Então, vamos fazer assim, clique no link abaixo, experimente ouvir um dos capítulos e me conte o que achou 😉

Comece por: capítulo La llorona

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// Plaquete: ideias para fazer publicações independentes. Por Ana Rüsche: Trazendo a Ana para a lista novamente porque foi em um video dela que eu fui apresentado às plaquetes. Plaquetes são “livros pequenos”, nas palavras da Ana, publicações curtas de um conteúdo que talvez não caberia em um livro próprio. Clique aqui para assistir.

Por que me conectei: Eu não conhecia esse formato. Achei uma boa ideia para criadores que queiram divulgar seu trabalho de forma física e independente (leia-se barata). É um jeito legal de experimentar, brincar com o projeto gráfico, a confecção, sair da internet um pouco e deixar nossas criações circularem por aí. Assistam ao video da Ana para ver vários exemplos de plaquetes brasileiras e gringas. // Ana Rüsche é escritora, clique aqui para conhecer e comprar seu último livro, a novela “Do Amor – o dia em que Rimbaud decidiu vender armas

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// Panti: Nesse video, a dragqueen irlandesa Panti ilustra como eu nunca havia visto o que é a opressão e como ela faz o oprimido se sentir. Ative a legenda em Português nas configurações do Youtube. Clique aqui para assistir.

Por que me conectei: Ouvir Panti falar nesse video é o tipo de experiência capaz de abrir uma janela na sua mente, e você nunca mais volta a ver as coisas como antes. A opressão sempre foi algo que eu senti em maior ou menor grau, mas que eu não conseguia explicar até encontrar esse discurso alguns anos atrás. A forma como a Panti constrói sua fala nos conduz pela “lógica” da opressão, nos fazendo entender como ela funciona, listando exemplos de como a opressão se mostra no cotidiano nas formas mais silenciosas e não silenciosas.

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Daniel Triendl

Espero que você já esteja perdido ou perdida entre as abas abertas depois de clicar em todos esses links que eu te indiquei, mas vou tentar segurar sua atenção por mais dois ou três parágrafos.

Alguns dos criadores que recomendei aqui não atingem nem uma fração do público que eu acho que eles merecem atingir. Recentemente tenho procurado recomendar coisas que eu gosto aos meus conhecidos compartilhando mais no Facebook, dando mais RT no Twitter, marcando mais no Instagram e no boca-a-boca também. E comprando seus trabalhos sempre que possível, o que é fundamental.

Muitas vezes, esse é o combustível capaz de fazer crescer aquele projeto que você adora, ou mesmo mantê-lo funcionando. Estou convencido de que, para quem cria, o fator mais importante é ter uma rede. E eu não falo aqui de milhões de seguidores e leitores. A rede pode ser modesta, mas precisa ser forte.

Quero te convidar a refletir sobre isso e a recomendar cada vez mais coisas bacanas aos seus amigos. Que isso passe a ser nossa cultura. Estejam certos de que vou fazer o mesmo por aqui.

E me conte aí, o que você cria? Você tem um projeto pessoal?

Espero que você tenha gostado e que essas pessoas tenham sido apresentadas em boa hora para você.

Obrigado por ler até aqui.
Uma boa semana e vamos nos falando.

 


Texto originalmente enviado na edição da 16 da newsletter Acelera Cometa!, no dia 12/04/2018. Clique aqui para assinar e receber por e-mail com conteúdo exclusivo.

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